Os retratos se realizam à partir da minha esfera pessoal de relações afetivas; as pessoas de laços mais estreitos, o que lembro delas e de certos momentos em qual nos encontrávamos. Retratar aqueles próximos de mim é uma maneira de me aproximar e relacionar com eles de outra maneira. As vezes mudo de ideia no caminho; a pintura começa sendo sobre alguém e termina sendo sobre outro. Me pergunto como preservar minha memória da pessoa retratada a cada segundo que penso sobre ela, enquanto tento traduzir isso através do gesto e da cor. Percebo que existe um vão entre a projeção da figura na cabeça e o caminho da paleta até a tela. Talvez por causa da inconsistência da memória e minha própria insatisfação, faço um quadro várias vezes até 'dar certo', até achar o que procuro. Busco retratar a verdade mas sinto que nunca vou alcançá-la integralmente e que a pessoa lembrada, está sempre em processo de atualização em minha cabeça.

The portraits emerge from my closest personal relationships: the people with whom I have the tightest bonds, my memory of them and moments spent together. To paint those I am more intimate with is a way for me to relate to them in a different manner. Sometimes I change my mind halfway through the work and a portrait which begins being about someone, ends up about someone else. I ask myself how I can preserve the memory I have of the person being painted while I think about them and try to translate that through stroke and colour. I realize that maybe there's a gap between how I project the person in my mind and the path to the canvas. Perhaps because of my own inconsistent memory and my own dissatisfaction with the present time, I paint the same painting over and over again, until I get it "right", until I find what I am looking for. I aim to paint the truth but I feel that I won’t ever reach that entirely, and that the person I think about while painting is constantly regenerating in my mind.